79 anos da Casa Matriz de Diaconisas

A aventura inicial

15/05/2018

A aventura inicial para fundar a Casa Matriz de Diaconisas

“Quando nosso caminhão chegou em Santa Cruz do Sul, após 7 horas de viagem por estrada de chão, estávamos cobertas de poeira!” Assim contou a Irmã Maria, que tinha ido viajar com outras mulheres da região de São Leopoldo e Novo Hamburgo, para participar do Congresso da OASE, em 1938.

Hermann Dohms,o então Pastor Presidente do Sínodo Riograndense e a Presidenta da OASE do Sínodo, Erika Strothmann, tinham convidado para este Congresso e foram bem-sucedidos, considerando que aproximadamente 70 mulheres vindo participar do evento. Algumas vieram de bom longe, como da região da serra gaúcha e do sul do Rio Grande do Sul. Estradas asfaltadas não havia na época. Pegava-se o trem, que levava muitas horas para poucos quilômetros, ou então veículos primitivos como caminhões sem cobertura.

Viajar nesta época foi, de fato, uma aventura arriscada, não só por causadas dificuldades de locomoção, mas também por causa da situação política. Desde 1935 havia um clima de insegurança no país, marcado por forte sentimento nacionalista e centralização do poder estatal. O governo federal, sob a alegação de conter o “perigo vermelho”, passou a perseguir pessoas suspeitas de “ameaçar a paz nacional”. Por isso, a OASE precisou de uma autorização policial para realizar seu Congresso.

As lideranças do Sínodo não se deixaram intimidar, pois estavam convictas de que tinha chegado a hora de fundar uma Casa Matriz de Diaconisas. As comunidades evangélicas precisavam de profissionais na área da saúde e educação infantil. No Brasil já havia diaconisas, trabalhando em comunidades e instituições, desde 1913. Mas a sede desta Irmandade estava na Alemanha, em Wittenberg. Agora era urgente criar uma casa de formação aqui no Brasil.

O tema do Congresso foi: “Mulheres evangélicas e Juventude evangélicas para a Igreja”. Por isso, também jovens tinham sido convidadas. A principal resolução tomada neste Congresso foi: “A Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas do Rio Grande do Sul assume, por incentivo e a pedido do Sínodo Riograndense, a fundação e a manutenção de uma Irmandade evangélica.”

Tomada esta decisão, ainda demorou um ano, para que a Irmandade pudesse ser fundada. Pois foi necessário: reunir os recursos para comprar o terreno com a casa do Clube de Atiradores e adaptar a casa.

Mas, enfim, o início se deu quando a primeira candidata à Irmandade chegou em São Leopoldo com a primeira Irmã Diretora. Isto foi no dia 17 de maio de 1939. As duas mulheres vieram do Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre, com o caminhão da mudança, e chegaram no Morro do Espelho, quando já estava escurecendo. Isto não impediu que a esposa do Pastor Presidente, Marie Dohms e a sra. Elsbeth Rotermund, da OASE de São Leopoldo, chegassem na casa com um buquê de flores.

A fundação da Casa Matriz de Diaconisas, portanto, não se deu com festa e discurso, mas com uma demonstração de afeto, que simbolizava a acolhida deste setor importante na Igreja.

A Casa Matriz de Diaconisas hoje

O início da Casa Matriz de Diaconisas foi muito difícil, por causa da II Guerra Mundial que iniciou no ano de sua fundação. Havia dificuldades financeiras, dificuldades na formação por motivos linguísticos e de liderança. Mas havia vocações, ainda que não fossem numerosas. Assim, a Irmandade foi se desenvolvendo.

Houve muitas mudanças no decorrer dos anos. Se, no início, a enfermagem foi o foco principal da atividade das Irmãs, aos poucos os trabalhos foram se diversificando. Em 1974, a Irmandade criou o Seminário Bíblico-Diaconal que formou lideranças para as áreas da educação infantil, do idoso e da ação comunitária.

Da mesma forma mudaram as regras da Irmandade, a ponto de termos hoje Irmãs com Ordenação para as quatro ênfases ministeriais e também Irmãs Diaconais. Estas últimas têm uma formação secular, mas se identificam com o trabalho diaconal.

Mulheres que desejam ingressar na comunhão da Irmandade, passam por um período de Aspirantado, cujo programa prevê: Informação, Formação e Acompanhamento. Atualmente, são 11 as Aspirantes, ao lado das 52 Irmãs.

Texto: Irmã Ruthild
 

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